No dia 4 de outubro de 2026, o Brasil vai às urnas para escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
Para quem foi demitido, preso, vigiado ou impedido de trabalhar por causa das próprias ideias, esta não é uma eleição qualquer. A Conape não indica candidato nem partido. Mas tem lado, e sempre teve: o da democracia, da memória e da reparação. É com essa clareza que escrevemos este artigo.
Fomos perseguidos por defender a democracia
Os anistiados políticos da Petrobras perderam emprego, carreira e, muitas vezes, a convivência com a própria família porque acreditavam que o voto, a organização dos trabalhadores e a liberdade de opinião importavam.
A Lei da Anistia, de 1979, e a Lei 10.559, de 2002, reconheceram essa injustiça. Nenhuma das duas foi presente: foram conquistas de quem resistiu. E conquista precisa ser defendida, sobretudo quando voltam a circular discursos que tratam a ditadura como um tempo de ordem e chamam de “exagero” a perseguição que vivemos na pele.
O que foi feito com a anistia nos últimos anos

A memória é a nossa melhor ferramenta de voto. Por isso, vale lembrar os fatos que as entidades da categoria registraram:
- 2016 a 2022: portarias de anistia já concedidas foram anuladas, a Comissão de Anistia foi esvaziada e passou a negar pedidos em massa, e o pagamento dos retroativos praticamente parou. Autoridades da época chegaram a exaltar publicamente a ditadura e seus torturadores.
- 2023 a 2026: a Comissão de Anistia foi recomposta, os julgamentos foram retomados e o Estado brasileiro voltou a pedir desculpas oficialmente aos perseguidos políticos.
Não é preciso dizer nomes. Cada anistiado sabe quem esteve do nosso lado e quem tentou apagar a nossa história.
Nossa posição, sem meio-termo
- Anistiado não vota em quem aplaude a ditadura. Quem elogia torturador ou defende o golpe de 1964 está defendendo a máquina que nos perseguiu.
- Anistia é para perseguido, não para golpista. Quem atentou contra a democracia no 8 de janeiro de 2023 não pode receber o mesmo nome que a reparação de quem foi vítima do Estado.
- Reparação não é privilégio. É dívida do Estado com quem teve a vida interrompida. Orçamento para a Comissão de Anistia e para os retroativos é uma escolha política, e cobra-se nas urnas.
- Memória não se negocia. Arquivos abertos, locais de memória preservados e verdade contada nas escolas fazem parte da mesma luta.
O que perguntar a quem pede o seu voto

Antes de decidir, faça estas perguntas ao candidato a presidente, senador ou deputado. Por WhatsApp, e-mail, redes sociais ou pessoalmente, nos comícios e caminhadas:
- Você considera que o Brasil viveu uma ditadura entre 1964 e 1985?
- Você apoia anistia para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023?
- Você vai defender orçamento para a Comissão de Anistia e para o pagamento dos retroativos?
- Você apoia o reconhecimento público, pela Petrobras, da perseguição aos seus trabalhadores durante a ditadura?
- O que você vai fazer para preservar a memória desse período?
Se a resposta à primeira pergunta for “não” ou a segunda for “sim”, você já sabe tudo o que precisa saber. Compartilhe as respostas com a Conape: vamos reunir o que chegar e divulgar aos associados.
O que cada cargo decide sobre a sua vida
- Presidente da República: nomeia quem comanda o Ministério dos Direitos Humanos e, com isso, define se a Comissão de Anistia funciona ou fica parada. Também sanciona ou veta leis e manda ao Congresso a proposta de orçamento.
- Senadores e deputados federais: votam as leis, o orçamento e qualquer proposta de anistia a golpistas. São eles que podem proteger ou desmontar a reparação.
- Governadores e deputados estaduais: cuidam das comissões estaduais da verdade, dos locais de memória e das políticas para a pessoa idosa no seu estado.
O primeiro turno é em 4 de outubro e o segundo, onde houver, em 25 de outubro de 2026. Os eleitos assumem em janeiro e fevereiro de 2027.
Depois do voto, a gente cobra
A pauta dos anistiados não termina na urna. A Conape vai acompanhar o que os eleitos fizerem, publicar aqui no blog e chamar cada associado quando for hora de pressionar.
Você foi perseguido por acreditar que a política importava. Isso não mudou. Votar com memória é a continuação da mesma luta que começou décadas atrás.
Seu voto tem memória. A nossa também.
Ditadura nunca mais. Nem nas urnas. Se quiser ajuda para enviar as perguntas aos candidatos ou conversar sobre os seus direitos, fale com a Conape pelos telefones (21) 2262-2945, 2262-9249 ou 2262-9276, ou venha à nossa sede: Avenida Treze de Maio, 13, salas 1512 a 1517, Centro, Rio de Janeiro (RJ). Você também pode usar a página Contato do site.
Fontes:
- Tribunal Superior Eleitoral: Eleições 2026
- Ministério dos Direitos Humanos: Comissão de Anistia
- Planalto: Lei 6.683/1979 (Lei da Anistia)
- Planalto: Lei 10.559/2002
A Conape não indica candidato nem partido. Nossa posição é pela democracia, pela memória e pela reparação.
