Você dedicou anos à Petrobras. Foi demitido por perseguição política. Lutou por décadas para ter os seus direitos reconhecidos. E hoje, quando tenta entrar em uma base da empresa para um evento ou uma homenagem, precisa pedir autorização como se fosse um estranho.
A demanda pelo crachá de aposentado pode parecer pequena. Mas ela carrega um significado que todo aposentado e anistiado da Petrobras entende de imediato.
O que é a demanda pelo crachá de aposentado
O pedido é simples: um crachá de identificação que permita ao aposentado o acesso às instalações da Petrobras, como bases administrativas, refinarias, clubes e espaços sociais, nas mesmas condições de um empregado para as áreas comuns.
Não se trata apenas de acesso físico. É o reconhecimento de que o aposentado continua fazendo parte da comunidade Petrobras. Hoje, aposentados e anistiados precisam pedir autorização especial a cada visita e são tratados como visitantes externos, e não como parte da história da empresa.
Para os anistiados, a ironia é ainda maior. Foram demitidos injustamente, tiveram os direitos reconhecidos pelo Estado por meio da Lei 10.559/2002, mas a empresa que os demitiu ainda não os reconhece plenamente como parte da sua comunidade.
O que diz o ACT e quais são os limites

O Acordo Coletivo de Trabalho 2025-2027 não inclui o crachá de aposentado entre as conquistas formalizadas. É uma demanda ainda em negociação.
A FUP e a FNP levaram o tema às mesas de negociação com a Petrobras, junto com outras pautas dos aposentados e pensionistas. A posição da empresa até agora tem sido de resistência, com argumentos de segurança patrimonial e controle de acesso.
O contra-argumento das entidades é objetivo: outras grandes empresas brasileiras e internacionais oferecem identificação a seus aposentados sem comprometer a segurança. Basta definir uma categoria própria de acesso, restrita às áreas comuns e sociais.
O que já existe e o que falta
O que já existe é o acesso a clubes e espaços sociais da Petrobras para alguns grupos de aposentados, em condições que variam de unidade para unidade. Em algumas bases, a entrada para eventos é facilitada; em outras, exige ofício prévio e cadastro individual a cada visita.
O que falta é o acesso formal e padronizado para todos os aposentados, incluindo os anistiados, em todas as instalações. Há relatos de anistiados que precisaram de autorização especial para participar de homenagens dentro das próprias bases onde trabalharam, situação que as entidades consideram humilhante.
A proposta das entidades é um crachá com categoria específica, “aposentado” ou “anistiado”, com acesso às áreas comuns, clubes e eventos, sem necessidade de autorização individual.
Como cobrar esse direito

- Pelo sindicato de base: manifeste a demanda ao Sindipetro da sua região para que ela seja incluída nas próximas rodadas de negociação.
- Pela Conape: a associação tem canal direto com a Petrobras e registra a demanda formalmente em nome dos associados.
- Pela ouvidoria da Petrobras: protocolar uma solicitação formal gera registro e obriga a empresa a responder.
- Ação coletiva: quanto mais associados registrarem a mesma demanda, maior o peso político para que ela entre no próximo ACT.
Se você já passou por uma situação constrangedora ao tentar entrar em uma instalação da empresa, conte à Conape. Cada caso documentado, com data, local e o que aconteceu, fortalece o argumento coletivo.
Como registrar a sua demanda, passo a passo
Para que a cobrança tenha peso, ela precisa ser formal e documentada. Um roteiro simples:
- Escreva um relato curto. Data, local, o que você foi fazer, o que aconteceu na portaria e como foi tratado. Meia página basta. Se houve testemunhas, anote os nomes.
- Protocole na ouvidoria da Petrobras. O canal é o site da empresa, na área de ouvidoria. Escolha “sugestão” ou “reclamação”, descreva a demanda pelo crachá de aposentado e anexe o relato. Guarde o número do protocolo e a resposta.
- Envie uma cópia à Conape. A associação reúne os relatos e os leva às reuniões com a empresa e às federações. Quanto mais casos documentados, mais forte o argumento.
- Informe o seu Sindipetro. Os sindicatos de base montam a pauta de reivindicações que vai para a mesa do ACT. A demanda entra se os aposentados pedirem.
- Acompanhe a resposta. A ouvidoria tem prazo para responder. Se a resposta for genérica, a Conape orienta como insistir.
O que pedir, em uma frase: identificação funcional de aposentado, com categoria própria, válida para as áreas comuns, clubes e eventos das instalações da Petrobras, sem necessidade de autorização individual a cada visita.
Se você conhece um aposentado de outra empresa que tem esse tipo de identificação, conte à Conape. Exemplos concretos ajudam na negociação.
O significado além do acesso
Uma empresa que reconhece seus aposentados é uma empresa que reconhece a própria história. Para os anistiados, o crachá seria um gesto concreto de que a Petrobras os vê como parte da sua comunidade, e não como ex-empregados problemáticos que precisam ser tolerados.
O tema se conecta com algo maior: a reparação institucional que as entidades cobram da Petrobras pela colaboração com a ditadura. O crachá é uma parte pequena dessa reparação. Mas é simbólica, e simbolismo importa.
Seu nome merece estar em um crachá
Você ajudou a construir essa empresa. Seu nome merece estar em um crachá, não em uma lista de visitantes.
Quer registrar a sua demanda ou relatar uma situação que viveu? Fale com a Conape pelos telefones (21) 2262-2945, 2262-9249 ou 2262-9276, ou venha à nossa sede: Avenida Treze de Maio, 13, salas 1512 a 1517, Centro, Rio de Janeiro (RJ). Você também pode usar a página Contato do site. Nossa equipe orienta os associados e encaminha as demandas às instâncias responsáveis.
Fontes:
- FUP: fup.org.br — pauta de negociação do ACT 2025-2027
- FNP: fnpetroleiros.org.br — demandas dos aposentados
- Petrobras: Canal de Denúncia e Ouvidoria
- Conape: Contato
Este conteúdo é informativo e reflete a situação da negociação na data de publicação.
