Afinal, o que é ter saúde? Conheça a opinião de profissionais da área

Afinal, o que é ter saúde? Conheça a opinião de profissionais da área

Frequentemente, abordamos temas específicos sobre qualidade de vida, bem-estar e saúde para nossos colaboradores no Portal Petrobras. Desta vez, a proposta é trazer um olhar sobre o tema saúde de maneira distinta. Conheça a opinião de alguns profissionais de saúde da companhia sobre essa abordagem: Como você vê a saúde e a doença durante a vida?

CINTIA DA SILVA LOBATO BORGES, psicóloga do trabalho
A saúde é uma experiência pessoal, vivida por cada um, em seu contexto de dores e prazeres. Manifesta-se no espaço-tempo do indivíduo, como um estado e uma condição que está na esfera do sentir, do vivenciar e usufruir; que não se define ou tangibiliza facilmente, apenas se experimenta. Tem arroubos e calmaria. É guerra e é paz! A saúde é vista então como uma potencialidade, uma capacidade criativa de ser e estar na vida. Que não cabe muito bem em classificações, esquemas, equações ou teoremas, e não quer ser perfeita, pois se sabe viva. E tudo o que é vivo é imperfeito, incompleto, inacabado. Assim, seja no plano individual ou coletivo, a saúde está sempre sob riscos e ameaças, inclusive da doença, que termina sendo seu principal instrumento de afirmação – prova de sua existência. Afinal, atravessar a doença, recuperar-se, ou mesmo adaptar-se a uma limitação é, em última instância, um triunfo da saúde. Então, olhemos para a saúde como esta qualidade de superação contínua, que conjuga fragilidade, força e capacidade criativa de atravessar o infortúnio e, ‘curar-se’.

KARLA COSTA KURTZ, médica
No nosso curso de vida, a doença sempre aparecerá em algum momento, e isso não significa que não se tem saúde. Algumas vezes, a doença vem de forma bem aguda, como uma gripe ou uma entorse. Outras surgem de forma mais lenta, quase escondida, como um câncer, por exemplo. Algumas doenças, quando aparecem, terminam nos acompanhando por toda a vida, como é o caso das doenças ditas ‘crônicas não transmissíveis’ (DCNT). Neste grupo, estão a hipertensão, a diabetes, algumas doenças pulmonares e o próprio câncer. São doenças silenciosas, responsáveis por 72% dos óbitos no Brasil. E, diferente das doenças transmissíveis, as DCNT têm alguns fatores que contribuem para seu surgimento, como aspectos genéticos, sexo, idade, inatividade física, alimentação inadequada, obesidade, tabagismo e o abuso de bebidas alcoólicas.

RENATA SIMOENS, nutricionista
Quando nos deparamos com este tipo de doença em nossa vida, o desafio de manter a saúde, a despeito do diagnóstico, é ainda maior pois, tirando os fatores de risco não modificáveis, como idade e sexo, resta-nos fazer escolhas por um melhor estilo de vida e por hábitos que sustentem a nossa condição de saúde. Tais escolhas auxiliam a convivência com limitações e possibilitam ajustes nos comportamentos sem, contudo, permitir que a doença invada todos os aspectos da nossa vida, roubando seu brilho. Há um trabalho de mudança no nosso modelo mental na direção da superação, que é dinâmico, na busca permanente de retomada do estado de saúde.

MARIA GORETTI DE FRANÇA, enfermeira do trabalho
A saúde precisa ser vista considerando prazeres e dores que temos em nossas vidas. Se alguma condição crônica, por exemplo, chegar para você, melhor não minimizar a situação. Ter uma doença crônica significa que essa é uma condição que veio para ficar. Mas pode ficar de forma controlada, sem nos aniquilar. Estima-se que quase metade da população brasileira tenha alguma doença crônica, o que vai requerer investimentos pessoais firmes e focados, para manter a autonomia e o bem-estar.

BIANCA MARQUES CARDOSO DO PRADO, assistente social
Quando se recebe um diagnóstico, num primeiro momento é difícil ter a dimensão das alterações que ocorrerão na rotina de vida. Afinal, além da medicação para controlar a doença, o que mais deverá ser feito? Como lidar com os efeitos colaterais da medicação? Que impacto haverá nos campos pessoal e profissional? Qual será o plano de voo daqui para a frente? Todas essas questões vão exigir novos aprendizados e adaptação a novos parâmetros de vida. Isso inclui parceria e confiança no seu médico assistente e em quem está ao seu redor, não caindo na armadilha de guardar para si o peso de administrar uma doença crônica sozinho. Ao agir assim, escondendo o que tem, aumenta-se o risco de descumprir as recomendações médicas e de surgirem complicações.

KATIA ZANON HESPANHOL, dentista
Todas as experiências da vida nos ensinam a não ficarmos presos a limitações e a podermos seguir em frente com alegria, maximizando os ganhos de outros aspectos da vida não afetados pela doença. A saúde é dinâmica e está para além de sintomas e doenças. Ter saúde passa pela capacidade de recriar, retomar, atravessar adversidades e seguir reinventando a vida. Não existe uma saúde prescrita, não há receita única. Toda receita de saúde verdadeira é de dentro para fora, considera o indivíduo em sua singularidade, no seu contexto e condições de exercer da melhor forma as suas potencialidades.

Fonte: AMS/Petrobras, 29/11/2019.

Imagem: Pixabay.

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