Entidades e lideranças de anistiados políticos realizam seminário na OAB-RJ

Entidades e lideranças de anistiados políticos realizam seminário na OAB-RJ

Nesta terça-feira (9 de julho), a “Plenária Anistia Rio”, “Coletivo-RJ Memória, Verdade, Justiça”, com apoio do Centro de Documentação e Pesquisa da OAB-RJ, promoveram o encontro “40 anos de Anistia Política (Lei 6.683/79)”, no Plenário Antônio Modesto da Silveira, da OAB-RJ, Centro do Rio de Janeiro.

De 10 às 17h, o evento contou com palestras, exibição de filmes alusivos à luta pela anistia política, exposição de fotografias, documentos, livros, artesanatos feitos por um grupo de bordadeiras (e que distribuiu gratuitamente seus trabalhos), debates, e a encenação de parte da peça “K, relato de uma busca”, pelo grupo teatral “Militantes em Cena”. A peça é baseada no livro homônimo de B. Kucinski.

A mesa do encontro foi formada pelo presidente da Umna, Mário Carmo da Silva; pelo presidente da Astape, Genobre Gomes da Silva; e pelo advogado Aderson Bussinger, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.

A Dra. Cláudia Dalla Costa representou a Conape naquele evento, do qual participou, inclusive, de reunião organizativa da caravana à Brasília, que culminará na realização de seminário sobre os 40 anos da Lei de Anistia, em 27 de agosto, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados.

Memória
O Dr. Aderson disse, entre outras análises, que nestes 40 anos de anistia política não há o que se comemorar, mas reafirmar a luta devido ao processo ainda estar “em aberto no Brasil”.

“Se não tivermos memória, de nada vale a discussão indenizatória. De nada vale as discussões que fazemos, se não preservarmos a memória”, destacou o advogado sobre a importância do resgate histórico para se evitar que crimes similares voltem a ocorrer.

O presidente da Umna, Mário Carmo da Silva, agradeceu a todos pela realização daquele evento, bem como pelo envolvimento na luta pela anistia política. Rendeu homenagem ao advogado Modesto da Silveira (in memoriam), e que dá nome àquele auditório. Dr. Modesto foi um defensor dos perseguidos políticos, entre outras atividades das causas sociais.

O presidente da Umna declarou que foi um dos presos da ditadura civil-militar, pois estava na revolta dos marinheiros, amotinados no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, em março de 1964. Ele discorreu um pouco sobre aqueles difíceis momentos, de sua prisão e dos demais amotinados, que foram levados para o Batalhão de Guarda do Exército.

Ele agradeceu ao Dr. Aderson; ao presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira; ao presidente da OAB-Nacional, Felipe Santa Cruz; e demais pessoas envolvidas em questões de direitos humanos, bem como os presentes naquele seminário.

O presidente da Astape, Genobre Gomes da Silva, reforçou a homenagem ao Dr. Modesto da Silveira, bem como discorreu sobre um pouco da história da Astape e dos petroleiros da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras. Resgatou a participação dos petroleiros na luta contra a ditadura, na organização sindical e de movimentos sociais em Caxias.

  • Texto e fotos: José Moutinho (jornalista)

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