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Dinarco Reis: militância e coerência política

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Dinarco Reis Filho foi recebido na sede da Conape pelo amigo Newton Menezes, na tarde de 22/11, para uma entrevista ao conape notícias. Eles são amigos desde 1951, no ensino colegial. Mais que amigos, são companheiros de luta e conapeanos de primeira hora.

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A militância política coerente é permanente no anistiado Dinarco Reis Filho, seja em defesa dos trabalhadores, do ideário marxista, na defesa da soberania nacional, do Sistema Petrobrás e dos petroleiros em geral.

Nascido no Rio de Janeiro em 14/11/1932, Dinarco Reis Filho foi diretor da Conape até a gestão de Mauro Dias Macedo. Dinarco acaba de completar 80 anos, mas continua firme, na luta.

Pode nos ajudar a entender tal qualidade o fato dele (Dinarquinho, para os mais íntimos) ser filho do saudoso Dinarco Reis (o Tenente Vermelho – ver a nota “Fundação Dinarco Reis”), dirigente histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Dinarco Filho ingressou na Juventude do PCB em 1948 – seu único partido até hoje.

Fez concursos para Fiscal de Rendas do Estado do Rio, Banco do Brasil e para a Petrobrás. Um pouco depois, recebeu uma ligação de um dirigente da Petrobrás que quis saber se ele gostaria de trabalhar na estatal, na Refrio – Refinaria do Rio de Janeiro (hoje Reduc). Dinarco pensou que fosse trote, mas era verdade.

Militante disciplinado, consultou seu partido sobre os concursos. A decisão foi pela Petrobrás.

Dinarco Filho ingressou na estatal em 1959, na Refrio, como datilógrafo, no setor de projetos. Posteriormente, formou-se em instrumentista da estatal e foi trabalhar na produção. O curso foi pelo então Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisas de Petróleo (Cenap II, nível médio), da Petrobrás, em Cubatão. Essa formação técnica possibilitou sua contratação em diversas empresas, inclusive estrangeiras, após ter sido perseguido e demitido da Petrobrás pela ditadura.

Dinarco contribuía na criação do Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias, através de uma associação de petroleiros, da qual foi procurador.

Na década de 1960, quando da formação da diretoria provisória do Sindipetro-Caxias, Dinarco disse que foi discriminado por ter sido reconhecido como comunista, mas avaliou que a composição do sindicato ficou muito boa, com Aristélio Travassos de Andrade, Silas Conforto e Cid Cezar Salgado, entre outros.

O início da Conape

Dinarco, Silas Conforto, Paulo Saboia, Humberto Jansen, Darcílio Arruda, foram informados sobre o surgimento de uma Portaria que possibilitava o retorno dos petroleiros demitidos à Petrobrás. Os interessados deveriam requerer sua readmissão. A Portaria foi proposta pelo ex-ministro dos Transportes nos governos Costa e Silva e Médici, Mário Andreazza (1918-1988), um dos signatários do arbitrário AI-5.

Dinarco se reuniu com Silas, Paulo Saboia, Jansen, Darci de Arruda Conceição e Autran. Foi decidido que todos apresentariam um requerimento de retorno à Petrobrás. Não houve retorno.

Souberam que na Bahia fora iniciado um movimento pela readmissão. Assim, começaram a reunir petroleiros de diversos estados. A primeira reunião foi no Sindicato dos Bancários-Rio, num clima bastante tenso. Esteve nesta reunião, o diretor da Conape, Carlos Olimpio; Aristélio Andrade; Dinarco, entre outros.

Em 1992, quando da fundação da Conape (associação), Dinarco participou da primeira diretoria, no cargo de 2º Tesoureiro, juntamente com Carlos Olimpio, Emunuel Rego, Ari Celestino Leite, entre outros. A Assembleia Geral Extraordinária (de fundação) foi realizada na sede do Sindipetro-RJ, onde compareceram 26 anistiados.

Dinarco retornou à Petrobras na década de 1980 e foi forçado a fazer acordo de demissão (aposentadoria) na década de 1990, no governo Collor.

Por meio da “Portaria Andreazza”, fizeram pedidos de readmissão na Petrobrás. Eles eram aposentados pelo INSS, antes de se tornarem anistiados (Lei 10.559/02). Nesse processo, a Conape cresceu para centenas de integrantes, e nacionalmente.

Com a eleição do ex-presidente do Sindipetro-Bahia, Mário Lima, para deputado federal, a Conape reforçou seu apoio na luta pela anistia dos petroleiros e a readmissão na Petrobrás.

Dinarco sintetizou a entidade como “um meio de luta no combate à ditadura militar e da restauração da dignidade dos petroleiros”. “A Conape foi construída com muita luta e incontáveis idas à Brasília”. Das dificuldades das idas à Brasília, Dinarco lembrou que certa vez tiveram que ir num “ônibus mata sapos”, uma viagem bastante difícil.

Fundação Dinarco Reis

Dinarco Reis Filho preside a Fundação Dinarco Reis, criada em 2000 pelo PCB para dar suporte às pesquisas científicas, estudos econômicos, políticos, sindicais e sociais, manter publicações e órgãos de comunicação e promover cursos, seminários e outros eventos. A Fundação, que difunde os ideais do PCB, fica no Centro do Rio de Janeiro. Dinarco Reis (1904-1971), o Tenente Vermelho, nasceu no Rio de Janeiro e foi um destacado dirigente comunista. De origem humilde, trabalhou desde a adolescência, ingressou na Escola de Aviação Militar, aos 19 anos. Participou de diversas lutas nas décadas de 1920 e 1930, foi da Aliança Nacional Libertadora; foi combatente na Espanha, em defesa da República; no Brasil, enfrentou a ditadura de 1964, entre outras atividades como dirigente coerente e lúcido do PCB, até sua morte em 1971.

Texto e foto: José Moutinho/Conape Notícias nº 9 (nov-dez-2012)

Fundo da foto destaque: dutos da Refinaria Duque de Caxias (REDUC) – Agência Petrobrás de Notícias.

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